O Festival de Música e Dança na Letônia

O Festival Nacional de Música e Dança na Letônia – ou Latvian Song and Dance Festival – é um evento realizado a cada 5 anos reunindo grupos de dança e música de todo o país, cuja primeira edição foi realizada em 1873.

Festival Nacional de Música e Dança. Riga, Letônia.

Festival Nacional de Música e Dança. Riga, Letônia.

Além de reunir em Riga, a capital da Letônia, grupos folclóricos de todas as partes do país; o festival proporciona à cidade um clima de celebração das tradições nacionais e regionais letãs. Além disso, tem sido um importante instrumento de manutenção da identidade nacional letã desde a sua primeira edição, sobretudo durante o período em que o país foi ocupado pelo regime soviético.

Logo na minha chegada a Riga, senti a atmosfera deste festival ao ver ensaios e apresentações por toda a parte antiga da cidade. Ônibus e grupos vestindo diferentes trajes e cantando diferentes canções em dialetos locais.

O mais marcante, contudo, foi no dia seguinte, exatamente na data de apresentação do festival. Fui muito sortudo ao conseguir um ingresso através de uma amiga minha, visto que na entrada do festival havia pessoas se oferecendo para comprar ingressos, em vez dos tradicionais cambistas.

Apesar de não entender o conteúdo das músicas, foi impossível não se contagiar pela vibração dos participantes do evento e dos maestros que esbanjavam energia. Mais que recomendo a ida a este festival! Mas atenção, o próximo é só em 2018!

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Minha chegada à Ucrânia

Pois é pessoal, minha chegada à Ucrânia foi um típico cenário aventureiro: desde a saída da Romênia acelerando para pegar os ônibus, ter de ensinar aos policiais ucranianos que brasileiros a turismo não precisam de visto, e depois de ter o passaporte carimbado, horas de viagem até Odessa, meu primeiro destino no país.

Kiev, Ucrânia

Kiev, Ucrânia

Bom, vamos falar sobre o visto! Devido a um acordo entre Brasil e Ucrânia, se não me engano desde 2011, brasileiros a turismo podem permanecer sem visto por até 90 dias. Comigo aconteceu o fato de os policiais na fronteira “não saberem”, ou fingirem não saber, deste acordo. Me perguntaram sobre o visto, expliquei-lhes sobre o acordo, titubearam quando respondi afirmativamente que tenho amigos ucranianos e me prontifiquei a contatá-los.

Leram uma lista que apontava países dos quais não é necessário visto, fizeram joguinhos checando se meu passaporte era verdadeiro (palhaçada!)… Foi só eu falar em ligar para a embaixada que eles se decidiram e carimbaram meu passaporte de vez.

Mais que recomendo viajar à Ucrânia, mas ter atenção que a polícia por lá é bastante corrupta. É bem comum policiais quererem arrancar dinheiro de quem parem no meio do caminho. A dica é:

– se possível, imprimir algo oficial que mencione o acordo entre Brasil e Ucrânia;

– ter o telefone da embaixada do seu país;

– carregue sempre cópias do seu passaporte, jamais seu documento original!;

– caso os policiais insistirem, pressione-os sobre ligar para a embaixada;

– e claro, jamais pagar propina!

Fique ligado e tenha uma ótima viagem nesse fascinante país que é a Ucrânia.

Sarajevo: um pedaço do Império turco-otomano nos Bálcãs

O império turco-otomano esteve presente nos Bálcãs por um bom bocado de tempo (não pesquisei exatamente quanto). De qualquer forma, é visível ao viajar por esta região os vestígios da influência turca na arquitetura, na comida, na música; até no consumo de narguilé.

Vista da parte antiga de Sarajevo

Vista da parte antiga de Sarajevo

Dentre todos os lugares que visitei até agora nos Bálcãs, Sarajevo é onde as marcas turco-otomanas são mais evidentes. A presença de mesquitas por todas as esquinas e o uso de véu pelas mulheres (o higab) dão uma cara especial a Sarajevo.

Cercada de montanhas, a cidade é acolhedora, as pessoas são simpáticas e receptivas – nem de longe lembra que o país viveu tristes momentos de guerra há alguns anos atrás.

Quanto às marcas da guerra, ainda é possível ver pela cidade prédios com furos de balas nas paredes; os vestígios ainda persistem…

Mas voltando ao assunto, Sarajevo é ponto obrigatório para quem passar pelo Leste Europeu. Além de acolhedora, é uma bela cidade com uma rica história, fácil de se locomover, e ainda por cima, muito barata. Foi marcante ver ao andar pela cidade, sobretudo na parte central, ver cristãos e muçulmanos compartilhando os mesmos espaços.

  1. O que experimentar?
  • Cevap: originário de Sarajevo, o cevap é um tipo de carne de hamburger assada na grellha acompanhada de pão e cebola. Em nenhum outro lugar você vai ver cevap com a mesma qualidade!

    Cevap: carne assada, pão e cebola

    Cevap: carne assada, pão e cebola

  • Café turco: para quem não gosta do café turco por ser forte, vale experimentar o café turco na Bósnia, que costuma ser doce.
  • Burek: folheado de carne ou de espinafre, típico dos bálcãs. Foi o melhor que já comi!

    Burek: folheado de carne ou espinafre

    Burek: folheado de carne ou espinafre

  • Cerveja Sarajevsko: típica da cidade, pode ser encontrada nos mercados a preços baratos!

2. Dica

  • A vista de Sarajevo de cima é sensacional! E opções para isto não faltam!
  • Não deixe de comer numa pekara, um misto de padaria e fast food a preços baratos, bem comum nos países balcânicos

Sérvia: as marcas da guerra e a nostalgia da Antiga Iugoslávia

Bom, a atual Sérvia até uns 2003 era apenas uma parte da Iugoslávia, junto com a Croácia, Macedônia, Eslovênia, Montenegro e Bósnia até a morte do ditador Tito, que reinava há 40 anos no poder com autoridade e destreza. E até 2006, o país se chamava Sérvia e Montenegro, quando Montenegro passou a ser independente.

Túmulo onde está enterrado o Tito, que governou a Iugoslávia por 40 anos

Túmulo onde está enterrado o Tito, que governou a Iugoslávia por 40 anos

Nos últimos, a história dos países balcânicos, entre estes a Sérvia, tem sido marcado por conflitos e movimentos separatistas da Iugoslávia. A história destes conflitos, que ainda deixa marcas profundas na vida de muitas pessoas nessa região, é complexa e remonta há séculos; mas como muitas outras guerras, o pano de fundo é o jogo político.

Não tenho por objetivo aprofundar a história dos conflitos que ainda marcam muito estes países, inclusive a Sérvia. A vida voltou ao normal para muitos sérvios há tempos, mas ao conversar com as pessoas é visível ver as marcas que estes conflitos ainda deixam na memória de muitas pessoas.

Muitos sérvios tem histórias relacionadas aos conflitos que assolaram a região – a exemplo tiroteios, bombardeios, amigos e familiares que morreram – como muitos brasileiros tem história de assaltos para contar.

Prédio que foi bombardeado por aviões americanos, no meio da cidade de Belgrado

Prédio que foi bombardeado por aviões americanos, no meio da cidade de Belgrado

Ninguém na história é santo: sérvios, croatas, bósnios, albaneses, eslovenos; todos tem a sua fatia de responsabilidade no conflito. Mas nem de longe se justifica a demonização das pessoas que vivem nos balcãs, sobretudo dos sérvios que tiveram de lidar com embargos políticos e econômicos desde o início dos conflitos.

Isso rende muita polêmica se analisar a guerra e as atuais consequências em andamento. Os líderes pela independência de Kosovo, por exemplo, são traficantes e contaram com o apoio dos EUA do momento em que aviões americanos apareceram para bombardear a região.

De qualquer forma, a vida segue, e as marcas da guerra ainda vão perdurar por gerações. Mas uma coisa que tenho percebido é a nostalgia da antiga Iugoslávia por parte das pessoas locais, sobretudo após a separações entre os países.

Mais que separação territorial e cultural, as guerras destruíram de vez a infra-estrutura destes países, prédios (inclusive residenciais), usinas de energia, etc. não escaparam das balas e bombas. Além disso, segue o desafio de estes países se adaptarem à atual economia globalizada sem o suporte do antigo governo iugoslavo que mantinha um forte regime assistencialista.