O Festival de Música e Dança na Letônia

O Festival Nacional de Música e Dança na Letônia – ou Latvian Song and Dance Festival – é um evento realizado a cada 5 anos reunindo grupos de dança e música de todo o país, cuja primeira edição foi realizada em 1873.

Festival Nacional de Música e Dança. Riga, Letônia.

Festival Nacional de Música e Dança. Riga, Letônia.

Além de reunir em Riga, a capital da Letônia, grupos folclóricos de todas as partes do país; o festival proporciona à cidade um clima de celebração das tradições nacionais e regionais letãs. Além disso, tem sido um importante instrumento de manutenção da identidade nacional letã desde a sua primeira edição, sobretudo durante o período em que o país foi ocupado pelo regime soviético.

Logo na minha chegada a Riga, senti a atmosfera deste festival ao ver ensaios e apresentações por toda a parte antiga da cidade. Ônibus e grupos vestindo diferentes trajes e cantando diferentes canções em dialetos locais.

O mais marcante, contudo, foi no dia seguinte, exatamente na data de apresentação do festival. Fui muito sortudo ao conseguir um ingresso através de uma amiga minha, visto que na entrada do festival havia pessoas se oferecendo para comprar ingressos, em vez dos tradicionais cambistas.

Apesar de não entender o conteúdo das músicas, foi impossível não se contagiar pela vibração dos participantes do evento e dos maestros que esbanjavam energia. Mais que recomendo a ida a este festival! Mas atenção, o próximo é só em 2018!

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5 minutos, 5 minutos indianos e 5 minutos egípcios

São 16:00 h e um indiano ou egípcio fala que vai chegar dentro de 5 minutos. A que horas você imagina que ele/ela chegará? Às 16:05 h? Hahaha, normalmente não.

Na lógica de muitos indianos ou egípcios, estes 5 minutos acabam se passando em 40 minutos, 1 hora, 2 horas ou muito mais que isso…Pontualidade não é comum em ambos os países. Mas por quê?

Porque na maior parte da Ásia e do Oriente Médio – e vamos incluir também Brasil e América Latina – as pessoas não têm uma percepção de tempo linear, não regulam a sua rotina com base em horários fixos. Em muitas destas culturas, momentos são desfrutados e vividos como únicos, e a vida – assim como as coisas mais simples na rotina de um cidadão – se leva ao sabor do destino ou do “maktub“. A vida é percebida como algo muito mais amplo que trabalho, estudos, compromissos… Ou seja, nessa percepção de tempo a vida não cabe numa agenda.

Na maior parte da Ásia e do Oriente Médio, o tempo passa ao sabor do destino e dos momentos

Na maior parte da Ásia e do Oriente Médio, o tempo passa ao sabor do destino e dos momentos

Da mesma forma, é interessante notar como a dinâmica tempo e rotina passa de um modo incontrolável. Imprevistos e surpresas acontecem a toda hora, nunca se sabe o que vai acontecer nas próximas horas, e nunca existe um dia igual ao outro, nunca mesmo! Rotina é algo que não existe!

Estrangeiros costumam não entender e ter dificuldades em se adaptar a essa diferente percepção de tempo, sobretudo europeus e norte-americanos. Reclamar e fazer julgamentos jamais serão caminhos para a solução, pelo contrário, levam ao isolamento da cultural local e a reações inconvenientes. Posso dizer que o melhor de tudo é surfar os imprevistos como faz qualquer pessoa que se criou naquela dinâmica. (…) Don’t you worry, don’t you worry child, See heaven’s got a plan for you! (…)

Índia – Apego à família

Uma das coisas que mais me chamou atenção durante o tempo em que estive na Índia foi o quanto os indianos são apegados às suas famílias. E como são!

Na foto, avó e neto. Ambos são da família que mantém um dos principais templos de Jaipur há mais de 300 anos

Na foto, avó e neto. Ambos são da família que mantém um dos principais templos de Jaipur há mais de 300 anos

A sociedade indiana é centrada na família, cujo nome sinaliza a casta a que pertence, assim como o poder e as conexões possibilitadas pela casta. Na Índia, não se vê a ideia de “negócios à parte”; pelo contrário, amizade, negócios, política e sobretudo, famílias se misturam e formam as teias de conexões que regem as “regras” no país.

Famílias controlam a política (a exemplo do nome Gandhi), os negócios e até Bollywood! Basta olhar os astros e estrelas com nomes Kapoor, Khan, Bacchan, entre outros que compõem os clãs da indústria de bollywood.

A maioria dos indianos jamais saiu e jamais sairá de seu país devido ao apego à família. Alguns me perguntaram como (nós estrangeiros) saímos de nosso país, longe de casa por um bom tempo… Para muitos indianos, isso nem sequer passa pela cabeça, não temos a ideia de quanto é traumático para eles ficar longe da família, nem que seja por um curto espaço de tempo. Não vamos nem falar então de conflitos e pressões familiares…

Nas casas indianas, costumam viver a família núcleo e a família extensa, com tios e tias, primos e primas e avós, geralmente paternos; e assim que casam, as mulheres passam a viver com a família do marido. Nas parcelas mais ricas da população, vêem-se casas de 3, 4 ou 5 andares; e nas mais pobres, dezenas de pessoas dividindo um pequeno espaço. Até nas metrópoles, é possível ver famílias ricas comprando andares e até prédios inteiros. Assim é a vida, opa indian style!

Egípcios e o complexo de colonizado

Desde que cheguei ao Egito, algo tem me surpreendido muito: o fato de muitos egípcios, sobretudo nas classes mais altas, renegar o seu próprio país e a sua própria cultura. Eles vivem em áreas nobres da cidade, dirigem belos carros, estudam em caríssimas universidades privadas, têm tudo para levar o país a melhores horizontes, mas vivem com as suas cabeças nos EUA e na Europa. É o famoso complexo de colonizado!

Sinceramente, jamais imaginei isso, com a imagem do país ligado à Revolução durante a Primavera Árabe e ao fato de os árabes serem muito orgulhosos de seu passado e de suas tradições.

A maior revolução que pode acontecer no Egito é os egípcios tomarem de fato as rédeas do país, ao invés de copiarem tudo de fora.

A maior revolução que pode acontecer no Egito é os egípcios tomarem de fato as rédeas do país, ao invés de copiarem tudo de fora.

Desde que pisei no Egito, tenho percebido que muitos egípcios se sentem “cool” andando com estrangeiros (não é só no Egito que isso acontece, mas o que há de especial nisso?), consumindo importados e adotando estilos de vida europeus e norte-americano.

Além disso, muitos egípcios também sentem vergonha da cultura popular egípcia, como comer koshary ou tammeya, ouvir as músicas shaaby…. E tenho lidado com reações como “tá brincando que gosta de ouvir essa porcaria?” ou “isso é música de classe baixa!”, referindo-se à shaaby. Eu não vim ao Egito para comer McDonald’s ou tomar café no Starbucks, posso fazer isso até no Brasil. Eu quero ver coisas egípcias, eu quero shisha, koshary  e outras coisas que só posso achar no Egito, assim como conhecer o Egito como realmente é: pegar micro-ônibus, comer nas ruas, pegar metros, trens, estar em contato com egípcios que vivem esta realidade do país.

É também curioso com muitos egípcios nas classes mais altas usam os estilos de vida europeu e norte-americano como um capital social, como um meio de se distinguir das outras classes. É também curioso notar que cafés e fast-foods como McDonald’s e Cilantro (uma rede de cafés egípcia) se posicionam como locais onde seus clientes podem viver a experiência de estar “fora do Egito”, em oposição à tradicional ahwa, onde se vai para tomar chá e fumar shisha/narguilé, lugar normalmente frequentado por homens. Normalmente não veem mulheres numa ahwa, mas em cafés com estilos ocidentais é possível ver mulheres fumando shisha e/ou cigarros (mulher fumar em público não é aceitável para muitos egípcios).

Entendo estes aspectos da cultura egípcia e respeito. Mas o Egito será um melhor país quando os egípcios buscarem soluções para seus problemas na sua própria cultura, ao invés de copiar e colar modelos de fora! O Egito pode ser um país moderno com shisha e koshary, eis a minha opinião!

Não tem cerveja, dá-le shisha!

Como em muitos países muçulmanos, o consumo de álcool no Egito não é algo

Interior de uma ahwa em Alexandria

Interior de uma ahwa em Alexandria

amplamente adotado. Não digo que não haja consumo de álcool, que é bem visível entre os jovens, mas não é algo que a maioria dos egípcios se sente à vontade de fazer publicamente.

Para se ter uma ideia, em Cairo é popular um serviço de tele-entrega de bebidas alcoólicas, em sacos pretos para esconder o conteúdo! É galera, fazer do constrangimento de muita gente comprar álcool um negócio foi uma sacada e tanto, Drink’s é o nome da empresa.

Bom, mas como não se vê botecos no Egito, a válvula de escape diária são as ahwa (na verdade ahawi, que é o plural no árabe egípcio), que são os cafés onde o pessoal vai tomar bebidas quentes e fumar shisha, o famoso narguilé (termo usado na Líbano e na Síria).

Ahwa em Cairo

Ahwa em Cairo

Na maioria das “ahwa“, vê-se um monte de homens, o que indica que é um espaço masculino, vamos assim dizer. É onde muitos egípcios se encontram com os amigos, se sentem livres pra falar um monte de merda, falar de futebol, jogar taula (ou gamão), assistir jogos de futebol….Mulheres em ahwa, apenas nas ahwa mais cool e nos cafés, que já são um território das classes altas.

Mas o que vem me surpreendendo é que a ahwa é mais que um local de socialização, é uma instituição presente diariamente na vida dos egípcios. Muitos egípcios frequentam a ahwa ou todo santo dia ou quase todos os dias, sério mesmo! Gastam algo entre 10 e 20 libras egípcias por dia (pode ser mais ou menos que essa quantia, dependendo do lugar que frequenta o cidadão), que significam pelo menos 10% de seus gastos mensais, sem brincadeira!

Então, já que não a ahwa não tem cerveja, dá-le (como diria o rapper Pitbull) shisha!

O casamento na Índia

O casamento é um dos pontos mais interessantes da cultura indiana aos olhos de um estrangeiro. Por quê? Porque a concepção de relacionamento e amor para muitos indianos é muito diferente da qual estamos acostumados, como quase tudo na Índia.

Noivos em casamento sikh

O casamento é umas das celebrações mais importantes para os indianos

Os casamentos normalmente são arranjados pelas famílias dos noivos, e as despesas, pagas pela família da noiva, que vai viver com a família do marido após a cerimônia. Casta (entende-se condição social), etnia ou origem regional, qualidades pessoais e afinidades são critérios decisivos na escolha de um – ou uma – pretendente. Não é normal ver casamentos entre noivos de diferentes castas, ou de diferentes etnias ou regiões. Por exemplo, punjabi casa com punjabi, rajastani com rajastani, bengali com bengali e por aí vai…

Convidados em casamento hindu

Os casamentos na Índia são realizados em espaços com grandes jardins e com muitos convidados

O amor, na concepção de muitos indianos, é algo que vem com o tempo assim que o casal passa a viver junto. Não dá para comparar com a nossa concepção de amor e relacionamento! É possível casamento sem ser arranjado pela família? Sim, é possível, porém indianos de tão apegados às suas famílias não tem a coragem de encarar a desaprovação familiar. Vi casos em que a família deixou escolher o pretendente, e foi aquela história “não achei nenhum interessante, então meus pais podem escolher por mim…”. Tenho amigos que sabem que vão casar em no máximo 4 ou 5 anos, é o que se espera na cultura deles.

Tive a oportunidade de ir a casamentos muçulmano, hindu e sikh; as 3 principais religiões do país. A cerimônia muda um pouco conforme a religião, etnia ou região; mas basicamente é dividida em 3 partes: chegada dos noivos, hora de comer e cerimônia. As cerimônias costumam ser realizadas em grandes jardins, com centenas ou milhares de convidados, visto que é um evento importante para os indianos.

Noivos em casamento hindu

Após a cerimônia, os noivos são cercados de flashes!

Foi uma das melhores experiências que tive na Índia! Cores, celebração, música, dança, doces (que tanto adoro!)… Mas quando um indiano me pergunta “André, quando você vai casar?”, só posso responder “nem eu mesmo sei! Ahahaha!”

Egito: É nóis na shisha!

Sabem qual foi a minha primeira impressão do Egito? Revolução? Protestos? Que nada, shisha por todos os lados! Shisha everywhere, literalmente! 🙂

Shishas em diversos modelos

A shisha, ou narguile como conhecemos no Brasil, é algo sagrado na rotina de muitos egípcios

Para quem ainda não entendeu, a shisha é o tal do narguile, termo usado pelos libaneses e sírios; em alguns países, fala-se hooka. Em casa, na tradicional ahwa, nos cafés, nos restaurantes, é possível ver shisha por todos os lados, em todos os sabores: maçã, banana, limão, pêssego, cereja, uva, red bull, coca-cola….

Shisha e bate-papo, shisha e futebol, shisha e fofoca (no caso das mulheres), shisha e Playstation….Tá brincando? Não, bem vindo ao Egito!

A arte de fabricar shishas

Por toda Cairo, é possível encontrar lugares onde se faz e se vende tudo de shisha